Thursday, November 08, 2007

O Abrantes arrasa na Feira de Arte de Lisboa

Gabriel Abrantes
Ga0037

Com a Casa da Música (?) e os dois vídeos (Olímpia 1 e 2), mais os desenhos do Francisco Vidal do outro lado, a feira está ganha.
Percebe-se que tenham querido afastar do Arco a mais forte galeria de Lisboa. Às vezes é também a mais dinâmica.

2. Os profissionais e o público foram aparecendo na inauguração - mas ainda não se tornou um acontecimento social, como devia ser (e o atraso ou desorientação na comparência das "autoridades" não ajuda). Para a noite a casa estava concorrida e animada. Mas parece que os nossos escrevedores de catálogos também precisam de ser pagos para comparecer num lugar onde têm a obrigação de estar e ser vistos. Continua a haver muitos comportamentos provincianos - ou mesmo parolos.

3. Ao contrário do que apareceu escrito, por culpa minha, seguramente, não gosto de feiras. Prefiro mercados - de preferência, de peixe. Mas não tem importância. Às vezes, as feiras desempenham um papel importante.
Também convém notar que o meio galerístico não cabe na feira, e que é mais ágil que a sua lenta e pesada organização. Fora da Arte Lisboa (mas em Lisboa) está, por exemplo, muito do melhor que se vai passando no mercado da fotografia: a KGaleria (com nova inauguração na 5ª) e a P4, à Estrela. E estão. por diversíssimas razões, galerias que têm agora exposições significativas: a Cidiarte (que tem outra dinâmica desde que passou para a Escola Politécnica) com Pedro Chorão; a Arqué, com Pedro Zamith e as suas pinturas cinéfilas vindas da ilustração; a Caroline Pagès, com Jeanine Cohen e Nuno da Silva.

4. Não vi tudo, falhei alguns pontos onde queria ter estado, mas há que dar destaque à publicação do catálogo do 1º ano de actividade da MCO, #1 a #8, 2005/06, colocado sob a epígrafe "Chez Duchamp". Uma original galeria do Porto, prédio burguês de quatro andares a São Lázaro, com um programa de várias exposições-apresentações simultâneasmantido, por Maria do Carmo Oliveira e Balrazar Torres. Fica longe da rua das galerias, mas há cidade para além dela. Como falhei as exposições todas, é ainda mais útil.
Neste Livro 1 aparecem, por exemplo, Ricardo Pistola, José Lourenço, Alice Geirinhas, Sofia Leitão e muita gente que não conheço. Além dos bonecos, há textos.

Outro catálogo/livro, a lançar por estes dias. Manuel Caeiro, "Welcome to my loft", dá sequência à já respeitável série de edições da galeria Carlos Carvalho sobre os seus artistas. Escrito e editado por David Barro (Dardo, Santiago de Compostela), excede o corpo de trabalhos reunidos na exposição ainda em curso e tanto alarga a série de obras aí condensadas (atelier, dispensa, palco, biblioteca, podium - referindo explicitamente a actividade do pintor) como documenta séries anteriores onde os espaços e as estruturas ou construções arquitecónicas são temas de especulação formal em si mesmos (mas não ensimesmados).

5 A homenagem prestada pelos colegas ao António Bacalhau, que dirigiu a Gal. Palmira Suso e a encerrou para quebrar a rotina (sua e de vários artistas), foi um momento que uniu a "classe" em torno de quem teve um papel importante como impulsionador e director de antigas feiras, presidente da associação das galerias e, em geral, moderador de tensões e batotas entre colegas. Depois de Faria Paulino (MFA e Altamira), que deu um grande passo em frente com a Marca, no Funchal em 1987, e a seguir com os Fóruns em Picoas - e com a cumplicidade de Mário Teixeira da Silva (Módulo) e Luís Serpa (Cómicos) - o Bacalhau foi gerindo mais do que os seus interesses de galerista. Vê-se a falta que faz face à incerteza quanto aos destinos da APGA, sem direcção, e às trapalhadas que vão ocorrendo na selecção das galerias.


Da passarola de Gusmão ao homem-de-chiclete


PAULA LOBO
LEONARDO NEGRÃO (imagem)
Isaque Almeida tem um par de "asas" coladas na parede do stand da Presença. O americano John DeAndrea esculpiu em vinil uma Juliette nua, hiper-realista e à escala humana. E o italiano Maurizio Savini tem um homem feito de chicletes de morango a subir pela "fachada" da Jorge Shirley. Mas também há desenhos e esculturas de madeira de Álvaro Siza, que podem chegar aos 75 mil euros, a ocupar todo o stand da galeria portuense Miguel Bombarda.

A sétima edição da Arte Lisboa foi ontem foi inaugurada na FIL, no Parque das Nações, e ficará aberta ao público até ao próximo dia 12, Pintura, muita, escultura, bastante, fotografia, desenho e vídeo, em menor quantidade, são as propostas de 60 galerias (19 das quais estrangeiras). Dos artistas "históricos" como Vieira da Silva aos consagrados Pedro Calapez ou José de Guimarães , passando pelos jovens Gabriel Abrantes e Isaque Pinheiro, tanto se encontram obras de 1949 (uma pintura de Vieira, que já esteve na fundação lisboeta dedicada à pintora) como trabalhos feitos propositadamente para o certame.

Nesta feira de arte contemporânea de Lisboa, destaque ainda para as propostas que a curadora Isabel Carlos apresenta nos Project Rooms. Os artistas são 11. E as obras incluem a grande escultura feita de penas por João Pedro Vale, inspirada no célebre invento de Frei Bartolomeu de Gusmão e intitulada Passarola (e no entanto eles voam). Auto-retratos em vídeo e desenho de Rui Calçada Bastos. E a instalação em que Ana Vidigal recria o espaço do seu quatro de criança e recupera cartas e fotos do pai na Guiné, abordando a perspectiva dos filhos durante a guerra colonial.

"Esta é uma feira à dimensão do País", diz o galerista José Mário Brandão. Não compensa? "Uma ida à Arco [de Madrid] custa 50 mil euros, a feira de Lisboa fica por 10 mil", responde. Mas o investimento passa por "acreditar nos artistas". |


Arte Lisboa aposta nas parcerias com o exterior


PAULA LOBO
DIREITOS RESERVADOS (imagem)
Há "históricos" como Amadeo de Souza-Cardoso, Vieira da Silva e Arpad Szenes. Há "consagrados" como Julião Sarmento, Pedro Cabrita Reis ou Pedro Calapez, e artistas de gerações mais jovens como João Pedro Vale, Vasco Araújo e Gabriel Abrantes. Mas há também criadores estrangeiros de renome, caso de Douglas Gordon, Jason Martin ou Richard Long. E hoje, a partir das 18.00, poderão ser estes alguns dos nomes a disputar pelos coleccionadores convidados para a inauguração da VII Arte Lisboa.

Com abertura ao público amanhã, a feira de arte contemporânea reunirá este ano na FIL 60 galerias, 19 das quais estrangeiras. Organizado pela Associação Industrial Portuguesa e com um orçamento que ronda "meio milhão de euros", o maior certame nacional dedicado às artes visuais aposta, pela primeira vez, nos Project Rooms, com trabalhos de 11 artistas e curadoria de Isabel Carlos). Tendo uma atenção especial para com os coleccionadores.

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